O oleiro e o poeta
Há muito tempo, ocorreu uma rixa entre um jovem poeta e um oleiro (artesão que faz vasos de barro). Após a desavença, eles foram levados à presença do juiz do lugarejo. O juiz, homem íntegro e bondoso, interrogou primeiramente o oleiro, que parecia muito exaltado:
- Disseram-me que você foi agredido. Isso é verdade?
- Sim, senhor juiz. Fui agredido em minha própria casa por este poeta. Eu estava, como de costume, trabalhando em minha oficina, quando ouvi um ruído e, a seguir, um baque. Quando fui à janela, pude constatar que o poeta havia atirado uma pedra, que partiu um dos vasos que estava a secar perto de minha porta. Exijo uma indenização! - gritava o oleiro.
- Como justifica o seu estranho proceder? - perguntou o juiz ao poeta.
- Senhor juiz, o caso é simples: semana passada eu passava na frente da casa do oleiro, quando percebi que ele declamava um de meus poemas. Notei com tristeza que os versos estavam todos errados. Então, aproximei-me dele e o ensinei a declamá-los da forma correta, o que ele fez sem grande dificuldade. Passados alguns dias, passei pelo mesmo lugar e ouvi novamente o oleiro a repetir os mesmos versos de forma errada. Cheio de paciência, tornei a ensiná-lo a maneira correta, e pedi-lhe que não tornasse a deturpá-los. Hoje, finalmente, eu regressava do trabalho quando, ao passar diante da casa do oleiro, percebi que ele declamava minha poesia estropiando as rimas e mutilando vergonhosamente os versos. Não me contive. Apanhei uma pedra e parti com ela um de seus vasos.
O juiz, calmamente, deu a condenação:
- Determino que o oleiro fabrique um novo vaso de linhas perfeitas e cores harmoniosas. O poeta escreverá um de seus lindos versos no nobre vaso. Este vaso será leiloado e a importância obtida pela venda deverá ser dividida em partes iguais entre ambos.
Muitos vasos feitos pelo oleiro e adornados com os versos do poeta foram vendidos. Em pouco tempo, os artistas prosperaram, tornaram-se amigos e passaram a respeitar o trabalho um do outro.
Respeite o trabalho de seu colega
Não há nada que dê mais orgulho do que apreciar uma obra feita por nós concluída. Seja uma obra de arte delicada, um complexo relatório, um bolo cheio de confeitos ou qualquer outra obra que tenha saído de nossas próprias mãos. É uma energia única que transborda nosso ego e nos faz sentir capazes de alcançar cumes mais altos.
É importante ter em mente que, para aquilo ter acontecido, você dependeu - direta ou indiretamente - da "obra-prima" de outras pessoas, seja de um amigo ou familiar, de um integrante de sua equipe ou mesmo de um desconhecido.
A excelência se faz com duas mãos e várias mentes. Reconhecer e avaliar (sem julgamentos pré-concebidos) o trabalho das pessoas ao seu redor não é só um gesto de humildade; é também um gesto de inteligência. Se o seu produto for avaliado por vários ângulos, certamente poderá melhorá-lo, já que antes era visto somente pelo seu ponto de vista.
Mais que isso: Um mais um pode ser bem mais que dois. A união de talentos multiplica os resultados. Como no caso do oleiro e do poeta, tenha seu colega como um aliado. Façam com que o resultado do trabalho de ambos seja muito mais do que dois pequenos trabalhos.
Que tal começar a praticar isso ainda hoje?
Abraços sustentáveis,
Marcio Zeppelini
1+1 pode ser bem mais que 2. A união de talentos multiplica os resultados.
Marcio Zeppelini
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terça-feira, 15 de março de 2016
Qual é o valor do seu trabalho?
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